Entrevistas
Com quem executa e com quem gerencia, separadamente. As versões costumam divergir.
Toda melhoria de processo passa por duas fotografias: a do processo atual (AS IS) e a do processo futuro (TO BE). Veja como produzir cada uma, como medir a distância entre elas e como garantir que o processo novo funcione antes de colocá-lo em operação.
AS IS é o retrato do processo como ele acontece hoje, com exceções, esperas e controles paralelos. TO BE é o desenho do processo como ele deve passar a funcionar, depois da análise. A diferença entre os dois é o plano de melhoria.
O AS IS precisa ser fiel, não bonito. As gambiarras e exceções são exatamente o que o projeto precisa enxergar.
Com quem executa e com quem gerencia, separadamente. As versões costumam divergir.
Acompanhar a execução real. Revela esperas e controles que ninguém menciona.
Formulários, planilhas paralelas, e-mails de aprovação, POPs existentes.
Datas e volumes do ERP ou CRM para medir tempos, filas e devoluções.
A análise de lacunas (gap analysis) transforma o diagnóstico numa lista de mudanças concretas.
| Lacuna | Causa (AS IS) | Mudança (TO BE) | Requisito | Responsável |
|---|---|---|---|---|
| Pedidos devolvidos para correção | Cadastro sem campos obrigatórios | Validação na entrada do pedido | Ajuste no sistema | TI + Comercial |
| Fila de aprovação no fim do mês | Aprovador único | Alçadas por valor | Nova política de alçada | Diretoria |
| Retrabalho de conferência | Planilha paralela | Relatório único no sistema | Relatório + treinamento | Controladoria |
Exemplo ilustrativo. Para chegar à causa, e não parar no sintoma, use Ishikawa e 5 Porquês.
Quatro perguntas, nesta ordem, para cada atividade do AS IS.
Controles duplicados, aprovações sem critério e relatórios que ninguém lê são os primeiros candidatos.
Menos campos, menos assinaturas, menos passagens entre áreas.
Juntar atividades na mesma raia, fazer em paralelo o que não depende uma da outra.
Só depois das três anteriores. Automatizar desperdício só o torna mais rápido.
O TO BE também é documento: fluxo final, matriz RACI atualizada, POPs e indicadores. Sem isso, a equipe volta ao AS IS em poucas semanas.
Começamos pelo AS IS com a sua equipe e entregamos o TO BE validado em simulação e documentado.
Um TO BE bem desenhado ainda pode criar um gargalo novo. A simulação mostra isso antes da mudança.
Exemplo ilustrativo de um processo de aprovação de pedidos, com os indicadores que usamos para comparar os dois cenários.
| Indicador | AS IS | TO BE (simulado) | O que mudou |
|---|---|---|---|
| Atividades | 14 | 9 | Conferências duplicadas eliminadas |
| Passagens entre áreas | 7 | 4 | Atividades agrupadas por raia |
| Aprovações | 3 em sequência | 1 por alçada | Política de alçada por valor |
| Tempo de ciclo | alto, com fila no fim do mês | menor e estável | Fila de aprovação removida |
| Retrabalho | frequente | raro | Validação na entrada |
Nos projetos reais, cada linha traz números medidos no AS IS e simulados no TO BE, que viram as metas da implantação.
Impacto x esforço. Comece pelo que dá resultado rápido sem depender de sistema.
Cada lacuna da análise vira uma ação com dono.
POPs, RACI e fluxo publicados antes da virada.
Uma unidade, um turno ou um tipo de pedido.
Os mesmos indicadores, antes e depois. Sem isso, não há como provar o ganho.
São expressões em inglês. AS IS (“como é”) é o processo atual, do jeito que acontece hoje. TO BE (“como será”) é o processo futuro, redesenhado para resolver os problemas encontrados no AS IS.
Não é recomendado. Sem o AS IS você não sabe quais problemas está resolvendo, não tem uma linha de base para medir o ganho e corre o risco de repetir no TO BE as mesmas causas dos problemas atuais.
O suficiente para responder à pergunta de negócio do projeto. Se o problema é prazo, registre tempos e esperas. Se é erro, registre controles e retrabalho. Não é preciso documentar cada clique de sistema.
É a comparação estruturada entre o AS IS e o TO BE, listando cada diferença: o que muda, por que muda, o que é preciso para mudar (sistema, treinamento, regra, pessoas) e quem é responsável.
Validando antes de implantar: revisão com quem executa, simulação com volumes e tempos reais e, quando possível, um piloto em escala reduzida. A simulação mostra gargalos que o desenho sozinho não revela.
Use a mesma notação nos dois, de preferência BPMN, para que a comparação seja direta e o TO BE possa ser simulado.
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