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Guia · Análise e melhoria de processos

Processo AS IS e TO BE: do como é ao como deve ser

Toda melhoria de processo passa por duas fotografias: a do processo atual (AS IS) e a do processo futuro (TO BE). Veja como produzir cada uma, como medir a distância entre elas e como garantir que o processo novo funcione antes de colocá-lo em operação.

Por · Nexus ConsultoriaLeitura: 9 minAtualizado em 24/09/2026
01 · Definição

O que é processo AS IS e TO BE

Resposta rápida

AS IS é o retrato do processo como ele acontece hoje, com exceções, esperas e controles paralelos. TO BE é o desenho do processo como ele deve passar a funcionar, depois da análise. A diferença entre os dois é o plano de melhoria.

AS IS
Linha de base: fatos, tempos, volumes, problemas.
Análise
Causas, lacunas e oportunidades.
TO BE
Processo redesenhado e validado.
Transição
Plano, responsáveis e indicadores.
02 · Processo atual

Como levantar o processo AS IS

O AS IS precisa ser fiel, não bonito. As gambiarras e exceções são exatamente o que o projeto precisa enxergar.

Fonte 1

Entrevistas

Com quem executa e com quem gerencia, separadamente. As versões costumam divergir.

Fonte 2

Observação

Acompanhar a execução real. Revela esperas e controles que ninguém menciona.

Fonte 3

Documentos

Formulários, planilhas paralelas, e-mails de aprovação, POPs existentes.

Fonte 4

Dados de sistema

Datas e volumes do ERP ou CRM para medir tempos, filas e devoluções.

O que registrar no AS IS

  • Atividades, decisões e responsáveis, em BPMN com raias por papel.
  • Volumes: quantos casos por dia, semana ou mês.
  • Tempos: de execução de cada atividade e de espera entre elas.
  • Sistemas e documentos usados em cada etapa.
  • Exceções e retrabalho: quando e com que frequência o fluxo volta.
  • Problemas percebidos pelas equipes, que viram hipóteses para a análise.
03 · Diagnóstico

Análise de lacunas: o que separa o AS IS do TO BE

A análise de lacunas (gap analysis) transforma o diagnóstico numa lista de mudanças concretas.

LacunaCausa (AS IS)Mudança (TO BE)RequisitoResponsável
Pedidos devolvidos para correçãoCadastro sem campos obrigatóriosValidação na entrada do pedidoAjuste no sistemaTI + Comercial
Fila de aprovação no fim do mêsAprovador únicoAlçadas por valorNova política de alçadaDiretoria
Retrabalho de conferênciaPlanilha paralelaRelatório único no sistemaRelatório + treinamentoControladoria

Exemplo ilustrativo. Para chegar à causa, e não parar no sintoma, use Ishikawa e 5 Porquês.

04 · Processo futuro

Como desenhar o processo TO BE

Quatro perguntas, nesta ordem, para cada atividade do AS IS.

  1. 01

    Eliminar: esta atividade precisa existir?

    Controles duplicados, aprovações sem critério e relatórios que ninguém lê são os primeiros candidatos.

  2. 02

    Simplificar: dá para fazer com menos passos?

    Menos campos, menos assinaturas, menos passagens entre áreas.

  3. 03

    Integrar: quem deve fazer, e em que ordem?

    Juntar atividades na mesma raia, fazer em paralelo o que não depende uma da outra.

  4. 04

    Automatizar: o que sobrou é repetitivo e baseado em regra?

    Só depois das três anteriores. Automatizar desperdício só o torna mais rápido.

O TO BE também é documento: fluxo final, matriz RACI atualizada, POPs e indicadores. Sem isso, a equipe volta ao AS IS em poucas semanas.

Tem um processo que todo mundo sabe que precisa mudar?

Começamos pelo AS IS com a sua equipe e entregamos o TO BE validado em simulação e documentado.

05 · Validação

Validar o TO BE com simulação antes de implantar

Um TO BE bem desenhado ainda pode criar um gargalo novo. A simulação mostra isso antes da mudança.

O que entra

  • Fluxo TO BE em BPMN
  • Volume de chegada de casos
  • Tempos por atividade
  • Pessoas e horários por raia

O que sai

  • Tempo de ciclo médio e máximo
  • Filas e tempo de espera
  • Ocupação de cada papel
  • Custo por caso

O que você decide

  • Qual cenário implantar
  • Quantas pessoas em cada etapa
  • O que acontece se a demanda crescer
  • Onde vale investir em automação
06 · Exemplo

Exemplo comparativo AS IS x TO BE

Exemplo ilustrativo de um processo de aprovação de pedidos, com os indicadores que usamos para comparar os dois cenários.

IndicadorAS ISTO BE (simulado)O que mudou
Atividades149Conferências duplicadas eliminadas
Passagens entre áreas74Atividades agrupadas por raia
Aprovações3 em sequência1 por alçadaPolítica de alçada por valor
Tempo de cicloalto, com fila no fim do mêsmenor e estávelFila de aprovação removida
RetrabalhofrequenteraroValidação na entrada

Nos projetos reais, cada linha traz números medidos no AS IS e simulados no TO BE, que viram as metas da implantação.

07 · Implantação

Plano de transição do AS IS para o TO BE

  1. 01

    Priorize as mudanças

    Impacto x esforço. Comece pelo que dá resultado rápido sem depender de sistema.

  2. 02

    Defina responsáveis e prazos

    Cada lacuna da análise vira uma ação com dono.

  3. 03

    Atualize a documentação e treine

    POPs, RACI e fluxo publicados antes da virada.

  4. 04

    Faça um piloto quando possível

    Uma unidade, um turno ou um tipo de pedido.

  5. 05

    Meça contra a linha de base do AS IS

    Os mesmos indicadores, antes e depois. Sem isso, não há como provar o ganho.

08 · Armadilhas

Erros comuns em projetos AS IS e TO BE

01AS IS idealizado. Desenhado a partir do POP antigo, não da operação real.
02TO BE sem diagnóstico. Redesenho baseado em opinião, não em causa.
03TO BE inviável. Depende de um sistema ou de pessoas que a empresa não tem.
04Sem linha de base. Ninguém mediu o AS IS e o ganho vira discussão.
05Implantar sem testar. O gargalo muda de lugar e aparece na primeira semana.
06Parar no desenho. Sem plano de transição e documentação, o TO BE fica no papel.
Perguntas frequentes

Dúvidas sobre AS IS e TO BE

01O que significa AS IS e TO BE?

São expressões em inglês. AS IS (“como é”) é o processo atual, do jeito que acontece hoje. TO BE (“como será”) é o processo futuro, redesenhado para resolver os problemas encontrados no AS IS.

02Posso pular o AS IS e desenhar direto o TO BE?

Não é recomendado. Sem o AS IS você não sabe quais problemas está resolvendo, não tem uma linha de base para medir o ganho e corre o risco de repetir no TO BE as mesmas causas dos problemas atuais.

03Quanto detalhe o AS IS precisa ter?

O suficiente para responder à pergunta de negócio do projeto. Se o problema é prazo, registre tempos e esperas. Se é erro, registre controles e retrabalho. Não é preciso documentar cada clique de sistema.

04O que é análise de lacunas (gap analysis)?

É a comparação estruturada entre o AS IS e o TO BE, listando cada diferença: o que muda, por que muda, o que é preciso para mudar (sistema, treinamento, regra, pessoas) e quem é responsável.

05Como saber se o TO BE vai funcionar?

Validando antes de implantar: revisão com quem executa, simulação com volumes e tempos reais e, quando possível, um piloto em escala reduzida. A simulação mostra gargalos que o desenho sozinho não revela.

06Em que notação desenhar o AS IS e o TO BE?

Use a mesma notação nos dois, de preferência BPMN, para que a comparação seja direta e o TO BE possa ser simulado.

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